PARÓQUIA NOSSA
SENHORA DA GUIA

Imagem Capa

Fé e Política

O objetivo principal da Igreja, hoje, é a missão e não a preocupação pela estrutura. Jesus estava Ionge das estruturas, frequentava somente as sinagogas, Iugar da Palavra de Deus e do povo reunido. Jesus andava nas estradas, falava diferente, fazia sinais de Deus, usava muito o método do diálogo, da pergunta. Fundando a sua Igreja, pediu aos apóstolos o sewip do poder lavando os pés das pessoas. Nosso exemplo é o bom samaritano: viu, sentiu, aproximou-se, tratou, caxegou, levou, cuídou dele... como no Egito: Deus viu, ouviu, conheceu a dor, desceu, livrou, levou e alimentou seu povo (Êxodo).

Desde o ano 800, a Igreja começou percorrer uma estrada de comprometimento com o poder político e econômico, desconfigurando-se. É necessário agora uma conversão para retomar às origens das primeiras comunidades, deixando o proselitismo, a mentalidade colonialista, a concentração do poder, as riquezas materiais, para voltar ao testemunho da fraternidade (política de inclusão).

Atualmente, a credibilidade da fé está na solidariedade e na misericórdia. A Paixao por Jesus é a paixão pelo seu povo. Quando maiores são as cidades, menor é a infuencia das instituições e das tradições.

É necessário o diálogo e a preocupaçõo na transmissão de critérios, valores, fontes, modelos. As cidades se apresentam índividualistas, consumistas, violentas, imediatistas, concentradoras da renda a serviço do poder e de interesses de grupo, até com as pessoas humanas. A resposta de Jesus, dos católicos, deve ser a solidariedade, a fraternidade, o Amor manifestado no diálogo, na misericórdia, no perdao, no bem comum, na sustentabilidade.

Estamos vivendo uma falsa democracia, já que o sistema social, a cumplicidade dos poderes e o compromisso do poder com os gmpos de interesse são evidentes, e o bem comum é postergado em prol de vantagens grupais. Isto é tão forte, que os católicos preferem viver na omissão, perderam a coragem e procuram simplesmente defender o pouco que tem, trabalhar e sofrer para manter um mínimo de dignidade. A omissão dos católicos na política está produzindo gravíssimas consequências no povo de Deus.

Cristo nos pede ser sementes, fermento, luz, sair ao encontro dos empobrecídos, dos sem voz nem vez, mostrar que o projeto de Deus é outro e pelo qual Jesus deu a vida, nos pede conversão: estamos presentes, ser ativos, alegres, criativos, cheios de esperança para o povo escravizado, sobre o qual se jogam tantos estigmas de: preguiçosos, violentos, falsos.

O primeiro passo é testemunhar com os fatos, que somos uma Igreja pobre que trabalha para os pobres. A Igreja católica, nestes últimos anos mostrou a capacidade de mudar esta história: João XXIII, João Paulo ll, Francisco. Uma Igreja sem ambições, sem carreirismo, sem consumismo, sem privilégios, sem clericalismo, seguindo o exemplo de Oeus que em Jesus se fez pobre para nos enriquecer.

A grande preocupação da nossa participação política deve ser atacar as *causas" que produzem em projeção geométrica tanta desgraça humana.

É necessário mudar os paradigmas e priorizar a promoção da cultura, moradia, moradores de rua, ancarcerados, crianças, famílias, trabalho, educação, transporte, ciência, comunicação, ecologia, minorias sociais que são grandes riquezas culturais.

E urgente *rezar e servir", ouvir os gritos humanos e da natureza, anúncio e denuncia, fidelidade a Deus (profetismo) e aos excluídos (Pastorais).

Não devemos olhar para o mundo urbano como coisa do diabo, mas como uma porta, ter um olhar propositivo, inspirando-nos em Jesus e não simplesmente nas consequências sociais que queremos resolver sem sabe por onde ir ou pegando estradas erradas baseadas em propostas pontuais, ingênuas ou violentas do mundo. Olhar os bCS como grandes oportunidades e os jovens para que não sejam abafados ou manipulados.

Cristo e a Igreja não estão para salvar °almas", mas para salvar pessoas humanas já agora e aqui, vivendo com dignidade e plenitude num paraíso terrestre, antecipação do paraíso celeste, vencendo, assim, também a morte.

É necessário buscar e formar lideranps conforme a *fraternidade" do amor de família. Inicia@o cristã e política são os dois extremos da evangelização: a raiz e os frutos dessa árvore que é o Projeto de Deus, o nascimento e a plenitude. A liturgia nos leva à vida e a vida nos leva à liturgia; a fé nos leva à fraternidade familiar e a política nos leva à fraternidade universal. O batismo nos introduz no povo de Oeus, a política nos faz viver no povo de Oeus. A cristologia nos leva à eclesiologia, a política nos leva à santidade. (Exemplo dos santos).

O Concílio Vaticano II nos diz que as alegrias e tristeza, as esperanças e angustias do povo, devem ser também da igreja. A Política da solidariedade e da inclusão deve ser nossa preocupação, não devemos ter medo de ousar mais e transformar, priorizar o serviço e não a omi66ÕO. Quando falamos de política, entendemos política partidária e políticas públicas: administra@o da justiça, trabalho, teto, direitos humanos, economia.

Tudo isto, é seguir o exemplo de Jesus Cristo ENCARNAOO, que se fez igual a nós em tudo, menos no pecado. Nõs temos que ser igual em tudo ao mundo, à política, menos no pecado: eis nosso grande desafio. Latino-américa é uma terra e uma história marcada por uma extrema pobreza e uma injustiça e violência institucionalizadas. Onde está o amor de Deus† Esta é a missâo do político católico.